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Para ver além: em quatro anos, Movimento Solidário leva mais saúde a Belágua
Distribuição de 484 óculos, consultas em regime de mutirão e ações de saúde sanitária: parcerias com prefeitura e governo do Estado levam saúde e informação para mais de 1200 pessoas.

'Fazia tempo que vinha reclamando da vista cansada e de dificuldade para enxergar de longe, aqui na consulta descobri que tenho que usar óculos e ainda recebi um colírio para diminuir a vermelhidão nos olhos. Esse mutirão foi muito bom, ajudou a muita gente que precisa'. Rose Santos, de 23 anos, dona de casa e moradora do povoado Mosquito foi uma das 484 pessoas que receberam óculos de grau gratuitamente em Belágua na ação realizada pelo Movimento Solidário em 2017, com a parceria da prefeitura e do governo do Estado.

Durante quatro dias de mutirão, dois oftalmologistas e mais 15 pessoas envolvidas, entre auxiliares de saúde, motoristas e voluntários participaram de um esforço concentrado e fizeram mais de 1.200 consultas, com prioridade para crianças e idosos. São 126 crianças de 2 a 13 anos, 50 idosos e 308 adultos e adolescentes que passarão a enxergar melhor graças às doações feitas ao Movimento Solidário.

As consultas oftalmológicas foram feitas em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular, que coordena o Plano Mais IDH do Estado, e da Secretaria de Saúde, que disponibilizou os atendimentos por meio da Força Estadual de Saúde. O secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, ressalta que a Fenae, por meio do Movimento Solidário, é uma das parceiras do Plano Mais IDH: 'Essa parceria é um exemplo importante de como instituições da sociedade civil podem se juntar ao nosso esforço no Plano Mais IDH, que é desenvolvido em vários municípios do Maranhão para melhorar as condições de vida das populações', afirmou.

Além de desenvolver projetos de geração de comida e renda, o Movimento Solidário está buscando atuar em ações de saúde, diante da precariedade e da dificuldade de acesso nas comunidades. Em 2018 uma parceria entre o Movimento Solidário, agentes de saúde e a Prefeitura de Belágua (MA) garantiu exames e consultas em 13 comunidades do município maranhense. Além de fazer um levantamento das necessidades de vacinação das crianças e adultos, foram realizadas palestras sobre planejamento familiar, noções básicas de cuidados com o saneamento e higiene familiar, esclarecendo por exemplo sobre filtragem da água, escovação de dentes e manejo de animais domésticos para evitar contaminações, entre outros.

Levantamento preliminar apontou que metade das crianças não estava com a vacinação em dia e que a hepatite B é uma doença recorrente na região. Há uma localidade onde a família inteira está com a doença, sendo que a mãe está em estado terminal no hospital. São problemas que afetam a qualidade de vida das pessoas e que ações simples de cuidados podem resolver, como prender os porcos que circulam livremente, filtrar e ferver a água.

Segundo a coordenadora do mutirão, Fátima Carvalho, que é consultora do Movimento Solidário em Belágua, o analfabetismo entre os indivíduos adultos é muito alto e, por isso, detectou-se a necessidade de reforçar com vídeos e dinâmicas de grupo que mostrem, por exemplo, os estragos que os vermes presentes na água podem fazer no corpo do ser humano. 'Muitas mulheres tiveram filhos com 13, 14 anos e às vezes tem seis, sete filhos sem nunca ter feito pré-natal, mas muitas nem mesmo foram ensinadas a cuidarem da saúde e da higiene intima. É um trabalho de convencimento e conscientização o que estamos fazendo', diz.

Depois das visitas, as comunidades firmaram um termo de compromisso com o Movimento Solidário, estabelecendo um cronograma para sanar os problemas detectados, como cercar os animais criados soltos, cuidar melhor da qualidade da água, aumentar o consumo de produtos da horta, usando novas receitas ou formas de preparo. 'Queremos ensinar, mas ao mesmo tempo investindo na conscientização, onde a responsabilidade maior da mudança é eles que têm que assumir', ressalta a consultora.

Na opinião do presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, é gratificante poder ajudar comunidades carentes a construírem seu próprio caminho, dando condições para que eles possam ir mais longe. 'E isso só é possível com a fundamental ajuda dos colegas da Caixa, que sempre abraçaram o projeto, sempre acreditaram que podem fazer a diferença' ressalta.

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